Você sabe o que acontece no cérebro antes de morrermos? É curioso…



Nos momentos antes da morte, o coração tem um papel central, diz a sabedoria convencional. Ou seja, quando o coração pára de bater e o sangue para de fluir, o resto do corpo lentamente se desliga. Mas uma nova pesquisa sugere que essa visão pode estar errada.

Os cientistas estudaram a atividade do coração e do cérebro de ratos nos momentos antes de os animais morreram por falta de oxigênio, e descobriram que o cérebro dos animais enviou uma enxurrada de sinais para o coração, o que causou danos irreparáveis ao órgão, e de fato causou o seu fim. Quando os pesquisadores bloquearam estes sinais, o coração sobreviveu por mais tempo.

Se um processo semelhante ocorre em humanos, então pode ser possível ajudar as pessoas a sobreviver após seu coração parar de bater cortando esta tempestade de sinais do cérebro, de acordo com o estudo publicado ontem (06 de abril) na Academia Nacional de Ciências.

“As pessoas naturalmente se concentram sobre o coração, pensando que, se você salvar o coração, você vai salvar o cérebro”, disse o co-autor Jimo Borjigin, neurocientista da Universidade Médica de Michigan, nos EUA. Mas sua equipe descobriu algo surpreendente. “Você tem que cortar a comunicação química entre o cérebro e o coração a fim de salvar o coração”, disse Borjigin, acrescentando que a descoberta é “contrária à quase todas as práticas médicas de emergência.”

Todos os anos, mais de 400.000 americanos experimentam parada cardíaca – que é quando o coração para de bater. Mesmo com o tratamento médico, apenas cerca de 10% sobrevivem e deixam o hospital, de acordo com a Associação Americana do Coração.

Os pesquisadores abordaram a questão de por que o coração de uma pessoa previamente saudável de repente pára de funcionar completamente, depois de apenas alguns minutos sem oxigênio.

Acontece que, mesmo quando uma pessoa em parada cardíaca perde a consciência e não mostra sinais de vida, o cérebro continua ativo. Em um estudo anterior publicado na PNAS em 2013, Borjigin e seus colegas descobriram que quando o coração está morrendo, ele fica sobrecarregado com sinais do cérebro, provavelmente em uma tentativa desesperada de salvar o coração.

Esta barragem de sinais pode ser responsável pelas chamadas experiências de quase-morte, disse Borjigin.

No novo estudo, os pesquisadores induziram a parada cardíaca em ratos ao fazê-los respirar dióxido de carbono ou submetendo-os a injeção letal. Os pesquisadores estudaram então a atividade dos cérebros dos animais usando eletroencefalografia (EEG) e sua atividade cardíaca por ecocardiografia (ECG) nos momentos que antecederam a morte. A equipe também mediu os produtos químicos presentes nos corações e cérebros dos ratos durante o experimento.

Inicialmente, a frequência cardíaca dos animais parava abruptamente. Mas, em seguida, sua atividade cerebral era fortemente sincronizada com a atividade do coração. Os pesquisadores usaram uma nova tecnologia que eles desenvolveram para medir a frequência cardíaca, batimento a batimento.

Enquanto o coração e o cérebro estavam em sincronia, os pesquisadores observaram uma inundação de mais de uma dúzia de substâncias neuroquímicas, como a dopamina, que produz sensações de prazer, e norepinefrina, que provoca sentimentos de alerta. Esta inundação de produtos químicos poderia explicar por que as pessoas que se submetem a experiências de quase morte as descrevem como “mais reais do que a realidade”, Borjigin observou.

Nos ratos, a atividade cerebral e cardíaca permaneceram sincronizadas até que o coração entrou em um estado chamado fibrilação ventricular, em que as câmaras inferiores do coração tremem em vez de contrair adequadamente, impedindo que o coração bombeie sangue.

Porém, quando os pesquisadores bloquearam o fluxo destes produtos químicos do cérebro para o coração, por meio do corte de medulas espinais dos ratos antes de os matar, a fibrilação ventricular é retardada. Como resultado, os animais sobreviveram por três vezes.

É claro que toda esta pesquisa foi feita em ratos. Se os corpos humanos se comportam de forma semelhante é a pergunta de um milhão de dólares, disse Borjigin.


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