Garoto sobrevive por 42 minutos embaixo d’água



Um adolescente na Itália recentemente bateu uma marca incrível ao sobreviver por 42 minutos embaixo d’água. Chamado apenas de “Michael” pelo jornal Milan Chronicle, o garoto de 14 anos pulou de uma ponte em um canal com alguns amigos no último mês e não voltou à superfície. Entretanto, a manobra não foi intencional. De acordo com o jornal, o pé do garoto ficou preso em alguma coisa embaixo da água, impedindo que ele voltasse à superfície. Os bombeiros e ajudantes que tentavam salvar a vida do garoto levaram cerca de uma hora para resgatar o menino. Michael ficou hospitalizado por um mês inteiro, acordou recentemente, e parece estar bem, disse o ‘Time.com’.

Ainda que a história de Michael seja de certa forma incomum, não é raro ouvir que alguém sobreviveu por períodos prolongados de tempo embaixo da água, de acordo com Zianka Fallil, neurologista da North Shore-Llj’s Cushing Neuroscience Institute, de Nova Iorque. Fallil contou ao portal americano ‘LiveScience’ que existem dois processos fisiológicos que entram em ação quando uma pessoa fica submersa por um período prolongado de tempo sem oxigênio.

O primeiro desses processos é conhecido como “reflexo de mergulho”, ou bradicardia, uma reposta fisiológica que tem sido observada mais fortemente em mamíferos aquáticos, mas também se acredita que aconteça em seres humanos. Quando o rosto de uma pessoa é submerso na água, os vasos sanguíneos se contraem e o coração diminui seu ritmo consideravelmente, explicou Fallil. O sangue é então desviado para as partes do corpo que mais precisam.

“O corpo protege os órgãos mais eficientes – o cérebro, o coração e os rins – e empurra o sangue para fora das extremidades e outros órgãos não tão essenciais”, disse Fallil.

Esse reflexo é normalmente citado como responsável pela sobrevivência de pessoas que quase morreram por afogamento. Entretanto, é difícil estudar este reflexo em humanos, principalmente pelos riscos óbvios que os cientistas iriam correr ao recriar uma experiência de quase afogamento em laboratório. Uma explicação menos controversa para como as pessoas sobrevivem por longos períodos debaixo d’água é a hipótese do resfriamento cerebral seletivo. “Essa hipótese diz que quanto mais rápido o cérebro esfria, mais chances uma pessoa tem de sobreviver”.

Quando você está imerso em água fria durante um período prolongado de tempo, seu corpo pode realizar vários processos que permitam a entrada de sangue refrigerado no cérebro, diz Fallil. Um desses processos, a vasodilatação hipercápnica, ocorre quando o corpo mantém o dióxido de carbono como resultado da falta de respiração. Este dióxido de carbono adicional faz com que os vasos sanguíneos em seu cérebro dilatem, o que por sua vez permite que o sangue mais frio entre no cérebro.

Embora a hipótese do resfriamento cerebral seletivo também não seja amplamente testada em seres humanos, é considerada uma explicação mais plausível para a forma como o cérebro pode ser protegido durante episódios de submersão prolongada em relação ao reflexo de mergulho, diz Fallil.

“Existem alguns estudos que analisaram as vítimas de quase afogamento para ver se a idade, a duração da submersão ou a temperatura da água tinham algo a ver com a sobrevivência”, disse ela, antes de concluir: “A única correlação encontrada pelos cientistas foi com o tempo de submersão”.

Um estudo publicado na revista Resuscitation, em 2002, descobriu que o tempo de submersão serve como um preditor de sobrevivência para as vítimas de quase afogamento. A quantidade média de tempo gasto debaixo d’água por 61 pacientes no estudo foi de 10 minutos. Mas, os pacientes que passaram menos tempo debaixo d’água (apenas cinco minutos) tiveram menor nível de incapacidade neurológica após o incidente. As vítimas que não sobreviveram gastaram uma média de 16 minutos debaixo d’água’. Um estudo semelhante, realizado em 2013, constatou que havia uma probabilidade muito baixa de um “bom resultado” na sequência de uma submersão com duração superior a 10 minutos.

No entanto, nenhum destes estudos encontraram uma forte correlação entre a probabilidade de sobrevivência e a temperatura da água em que a pessoa foi submersa, ou a idade da pessoa. Assim, enquanto várias reportagens sobre a angustiante provação de 42 minutos do adolescente italiano concluíram que sua sobrevivência foi resultado de sua juventude ou a temperatura relativamente fria do canal Milanese, isso tudo não passa de suposição. É bem provável que ele tenha sobrevivido pois recebeu uma excelente assistência médica, incluindo o uso da oxigenação por membrana extracorpórea, ou ECMO (que remove o dióxido de carbono do sangue e oxigena as células vermelhas do sangue), disse Fallil.


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